Contra a Parede
(Gegen die Wand - 2003)
Filme de Fatih Akin, vencedor do Urso de Ouro em Berlim 2004.
Contando com atores e direção acima da média, o filme - que trata do relacionamento de dois imigrantes turcos, Cahit (o excelente Birol Ünel) e Sibel (a revelação Sibel Kekelli), que se casam por conveniência - consegue prender a atenção do espectador na primeira hora, oscilando entre um filme trágico e um comovente relacionamento pouco convencional.
A arte (roupas, maquiagem), com destaque especial para as localizações (na maioria das vezes bares e boates de segunda categoria), é extremamente fiel ao tema do filme, e choca ao mostrar uma Alemanha decadente. A trilha, composta de pesadas músicas de rock alternativo, como Depeche Mode, complementa o clima devasso. O contraste visual e sonoro surge nas cenas recorrentes de uma típica formação instrumental e vocal turca, tocando o que parecem ser músicas folclóricas, marcando o início ou final de um "capítulo" no filme.
Destaque especial para a colocação da câmera nas cenas, e na peculiar habilidade de retratar com calculado desinteresse as cenas mais importantes do filme.
O filme, no entanto, acaba perdendo-se. A linha entre o não convencional e o não crível é fina. Se caminhar perto do extremo prende a atenção do espectador na primeira metade, na segunda se condena por ultrapassar a tal linha. A história dá uma guinada tão forte e forçada que é como se jogasse o espectador para fora da experiência que tanto o cativou até aquele momento. É quase como se anunciasse que é, de fato, um filme. "Tudo pode acontecer de agora em diante", diz o diretor, e, de certo modo, tudo se torna previsível desde então.
O filme, que poderia ser uma excelente história de recuperação e relacionamento, se torna um apanhado de exercícios de martirização (mesmo que muito bem filmado).
Condições da exibição: boa. Assistimos no Frei Caneca Unibanco Arteplex, sala lotada, pouco barulho.
Filme de Fatih Akin, vencedor do Urso de Ouro em Berlim 2004.
Contando com atores e direção acima da média, o filme - que trata do relacionamento de dois imigrantes turcos, Cahit (o excelente Birol Ünel) e Sibel (a revelação Sibel Kekelli), que se casam por conveniência - consegue prender a atenção do espectador na primeira hora, oscilando entre um filme trágico e um comovente relacionamento pouco convencional.
A arte (roupas, maquiagem), com destaque especial para as localizações (na maioria das vezes bares e boates de segunda categoria), é extremamente fiel ao tema do filme, e choca ao mostrar uma Alemanha decadente. A trilha, composta de pesadas músicas de rock alternativo, como Depeche Mode, complementa o clima devasso. O contraste visual e sonoro surge nas cenas recorrentes de uma típica formação instrumental e vocal turca, tocando o que parecem ser músicas folclóricas, marcando o início ou final de um "capítulo" no filme.
Destaque especial para a colocação da câmera nas cenas, e na peculiar habilidade de retratar com calculado desinteresse as cenas mais importantes do filme.
O filme, no entanto, acaba perdendo-se. A linha entre o não convencional e o não crível é fina. Se caminhar perto do extremo prende a atenção do espectador na primeira metade, na segunda se condena por ultrapassar a tal linha. A história dá uma guinada tão forte e forçada que é como se jogasse o espectador para fora da experiência que tanto o cativou até aquele momento. É quase como se anunciasse que é, de fato, um filme. "Tudo pode acontecer de agora em diante", diz o diretor, e, de certo modo, tudo se torna previsível desde então.
O filme, que poderia ser uma excelente história de recuperação e relacionamento, se torna um apanhado de exercícios de martirização (mesmo que muito bem filmado).
Condições da exibição: boa. Assistimos no Frei Caneca Unibanco Arteplex, sala lotada, pouco barulho.

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